martedì, febbraio 08, 2011

do caos para a liderança (06.12.2010)






amigos,


o melhor texto jamais escrito sobre futebol em língua portuguesa (e isso não é uma opinião pessoal, só minha) é uma crônica de nelson rodrigues, o maior dramaturgo e cronista de futebol que já viveu, sobre o flaxflu decisivo de 69. de tão bonito, de tão lírico, de tão pungente, houve um tempo em que eu sabia citá-lo, palavra por palavra, de cima abaixo - e por conhecê-lo tão bem, e por retê-lo assim, na memória e no sentimento é que posso dizer que, mesmo escrito há 40 anos, mesmo referindo-se a um jogo longínquo e que jamais vi, é esse, e somente esse, e nenhum outro,
o texto mais apropriado sobre o que vivemos na campanha do título de ontem.

"Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória."

pq em 2009, a 10 jogos do fim, tínhamos 99% de chance de rebaixamento - e a comunhão time x torcida resultou em vitórias seguidas, épicas, inimagináveis.. vitórias em sequência que nos salvaram do rebaixamento, contrariando a lógica dos matemáticos e a previsão dos "entendidos em futebol". e se hoje chegamos ao Olimpo desse esporte é porque estivemos no limbo no ano passado, quando encontramos a fórmula mágica - somamos a luta épica de um time de guerreiros ao apoio incondicional e irrestrito da melhor torcida que existe. não houve antes, e não haverá depois, viagem como a nossa.

"Niguém conquista um título num único dia, numa única tarde. Não - um título é todo sangue, todo suor e todo lágrimas de um campeonato inteiro... O Fluminense começou a ser campeão muito antes... Quando saiu do caos para a liderança. Do caos para a liderança, repito, eis a nossa viagem maravilhosa".

do caos para a liderança - de 99% rebaixado a 100% TRICAMPEÃO... da vala, do necrotério, do fundo do poço para o paraíso. nos tiraram o maraca, lutamos contra a CBF, contra o esquema curingón, contra os desfalques de nossos craques, contra malas de todas as cores - mas "estava escrito há 6 mil anos", e "estava decretado há 30 minutos antes do nada", que desde ontem, o Fluminense seria o campeão do Brasil...

pq temos a história mais gloriosa. pq se o futebol é uma expressão da paixão e da alma carioca, tudo se deve ao momento em que um punhado de senhores se reuniu no bairro das Laranjeiras para fundar um time de futebol.

"O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são só times de três cores." "ah, quem não esteve ontem no engenhão NÃO VIVEU".. não viu, e sobretudo não sentiu que a torcida tricolor fez a festa mais bonita que existe. novamente, e dessa vez, com o final feliz que condiz com a tradição enorme de um clube tão glorioso.

um clube glorioso, um time de guerreiros e a torcida mais linda e apaixonada do mundo; eis a comunhão que transformou ontem o engenhão em um altar sagrado, divino, abençoado.
um abençoado tricolor tricampeão!

2011 tb promete!!

saudações tricolores,

angelo

mercoledì, febbraio 02, 2011

o pequeno poder


"sabe com quem o senhor está falando?"

tb trabalho no serviço público e volta e meia me pergunto.. pq alguém, só por trabalhar na esfera pública, tenha mais “benefícios de honra” do que um particular?

pq essa intimidação contra as pessoas é disseminada pelas paredes de um hospital universitário, no setor de radiologia, justo no local onde o público vai requisitar a entrega de exames?

não se pode reclamar que o atendimento é lento, que seu exame se perdeu na burocracia dos papéis sem destino, que o deputado não cumpriu o que prometeu, ou que o ato policial está sendo feito de forma equivocada, exagerada. é algo que abre espaço para que o abuso de poder e de autoridade seja exercido de forma a coibir qualquer ação de repulsa à maneira como o serviço público é conduzido.

contra eles, há o benefício da lei - é desacato. ao resto dos mortais, questionar ou vá lá, desrespeitar, rende no máximo, uma injúria.

definitivamente, o brasil tem inúmeros defeitos, e mais esse - é o país onde qualquer um por muito pouco já "se acha".. o país da intimidação, do pequeno poder.


venerdì, luglio 23, 2010

ASSIM SE ESCREVE A HISTÓRIA.. SAUDAÇÕES TRICOLORES!!

amigos,

instaura-se um paradoxo: dirigir a seleção é uma honra; associar-se à ricardo teixeira e sua entidade, a CBF, uma infâmia.. como podem coexistir honra e desonra na mesma situação?

pq a CBF não representa o futebol brasileiro; a CBF tornou-se um mal, um câncer, desde que o ditador teixeira aportou por lá e encheu o futebol brasileiro de negócios escusos, de sujeira, de vergonha, de indignidade, de infâmia. sim, pq a CBF já foi território de gente honesta, nos tempos de havelange, de paulo machado de carvalho, de giulitte coutinho.

dunga errou muito, mas acabou com o monopólio da globo... teixeira tentou restaurar tudo isso - reestabeleceu a prioridade com exclusiva no programa do galvão bueno no sportv, no dia seguinte à eliminação da copa, e hoje escolheu muricy em rede nacional, em exclusiva ao vivo no horário nobre do jornalismo esportivo da globo (no globo esporte, na hora do almoço) - e o fluminense colocou-o no seu devido lugar, dizendo um sonoro NÃO.. não ao atraso, ao desmando endêmico, ao homem que acha que pode fazer o que quer com o futebol brasileiro, sem o mínimo de decência ou transparência.

SE QUER TANTO MURICY, que a CBF pague a multa, e, da próxima vez, RESPEITE o fluminense e sua (hoje ainda mais, por ganhar um capítulo digno de suas tradições) ENORME HISTÓRIA.






saudações tricolores!!

abs,


martedì, gennaio 05, 2010

o vento
[rodrigo amarante]

posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
eu pensei.. que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:
um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás
por que será?...
vou pensar.

- como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
- não sei mas
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
e isso porquê? diz mais!

uh... se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem
então o que resta é chorar
e talvez, se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
e como será?

o vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois sorrir em paz...
só de encontrar... ah!!!

martedì, aprile 07, 2009

oxfam, exit, G20


(veja o vídeo até o final!)


amigos,

reunidos em londres, será que os tais líderes do G20 se questionam o que é a crise mundial, o desfalecimento dos mercados, do mundo corporativo, da globalização... em um mundo que perpetua 4 bilhões de famintos? não - o eixo de atenção é outro, o eixo de atenção é o oposto.

há algum tempo atrás, escrevi um email sobre a OXFAM - pra quem não conhece, é uma ONG que planeja ações anti-globalização através do planeta, pregando relações comerciais mais igualitárias entre os países, uma vez que todo o comércio internacional está voltado para sufocar, cada vez mais e mais, os países do 3o mundo.

como se organiza, hoje, o comércio globalizado não funciona - ou por outra, só funciona para os países ricos; para nós, pobres da áfrica, américa latina e alguns asiáticos (como no vídeo), o mercado livre entre os países só causa exploração do trabalho barato e infantil, especulação, sufocamento dos pequenos produtores nacionais, fuga de capital pro exterior ao menor sinal de crise, etc e etc... tudo contribuindo para aumentar o flagelo de bilhões de pessoas, que vivem abaixo do nível da miséria, vítimas da fome, da desnutrição e de doenças.

enquanto isso, diversas empresas multinacionais, principalmente americanas, oferecerem emprego sub-humano a crianças que deveriam estar em escola; um único banqueiro espertalhão dá um golpe de 50 bilhões de dólares em wall street; e outro diretor de uma multinacional de automóvel aproveita a ajuda do governo obama não pra manter empregos, mas pra preservar seu lucro - e pede novamente, mais ajuda...

a raiz de todo o infortúnio em que nos metemos é uma só - muitos mil anos já se passaram desde que o primeiro homem se aproveitou do trabalho de outro homem para lucrar... há espaço pra pensar nisso em londres?, ou por outra - há espaço em nossas próprias vidas pra mudar, pra exercer solidariedade, generosidade, compaixão pelo próximo?


campanhas como a "make trade fair", que prega relações de comércio mais justas entre os países, e esta "exit" da mtv européia contribuem bastante em denunciar essas distorções. de nossa parte, podemos colaborar denunciando a exploração do trabalho infantil, o tráfico de menores e mulheres, deixando de comprar produtos dessas empresas (pense 2x antes de comprar seu nike "made in china/singapoure"!), ou votando em quem vai estimular a produção agrícola, a indústria nacional, habitação, educação e saúde pública, etc..., entre outras atitudes - ou simplesmente entendendo melhor os objetivos do "make trade fair".

visite:
http://www.oxfam.org e http://www.exit.co.uk

abs,

angelo

mercoledì, marzo 04, 2009



porque nasceu há 45 anos na bósnia e viveu até recentemente na croácia, zlato kopljar cresceu em um meio de guerra e incerteza; artista multimídia mais inclinado à fotografia e ao vídeo, certamente foi o meio em que vive inspiração para muito do que se vê em algumas de suas exposições. mas a impressão inicial de retratar o ideário de seu microcosmo se desfaz assim que nos debruçamos com maior interesse sobre o que ele, de fato, propõe: se o mundo em que vivemos globaliza ainda mais crises e miséria, as reflexões de kopljar são sobretudo atualíssimas, e, mais que isso, universais.

havia visto algumas delas em uma reportagem da bravo! de alguns meses atrás, mas só após ter tido a curiosidade de visitar sua página na internet (http://www.kopljar.net) é que conheci a amostra de um grupo de fotos onde ele se prostra diante de símbolos de poder econômico, cultural e social, em diversas partes do mundo (há, inclusive, uma foto de SP); em todas, zlato admite posições de reverência carregadas de sarcasmo, em que os símbolos claramente se contrapoem: centro x periferia, físico x metafísico/poético, força x delicadeza, inclusão x exclusão social/cultural.

interessantíssimo, galera; vale a visita.

giovedì, febbraio 05, 2009


sobre o ano que passou...



obrigado, meu time... por tudo o que vivemos nesse 2008 inesquecível.

mostramos ao mundo a torcida e a festa mais bonitas da história do futebol brasileiro. uma beleza medida não pelas cores das bandeiras, pelo grito infindável do maracanã lotado ou pelos fogos e luzes que brilharão pela eternidade.

O que restou do que vivemos, do que sentimos naquelas noites de quarta-feira não pertence ao mundo das percepções sensoriais, das questões físicas, daquilo que se vê, se ouve, se toca.

pois de tudo da campanha e da final da libertadores ficou o que, de fato, importava: a beleza do sonho.

e foi um sonho inesquecível, lindo demais; foi, sem dúvida, a festa mais bonita e irretocável que o maracanã já viu, que o maracanã já sonhou, em seus 58 anos de vida.

isso, esse "título", NINGUÉM tirará de nós.

éramos 90 mil fiéis que acreditávamos sim, e não nos envergonhamos disso; pelo contrário - é o nosso maior orgulho.

e que venha 2009!

saudações tricolores, galera!

abs,

angelo

giovedì, ottobre 16, 2008


"essa coisa é o que somos"



da difícil tarefa de transformar em cinema uma obra literária complexa e inquietante como o "ensaio sobre a cegueira" li e ouvi de tudo, mas geralmente: é sombrio, é triste, é pesado, é aterrador, é violento..

pois eu, que li um mais de uma vez, e vi o outro recentemente, eu diria o oposto do senso-comum: o filme, como o livro, é comovente, poético, de uma beleza única, e se pudesse exprimir tudo em uma só qualidade: é soberbo.

fernando meirelles soube transpor, com toda sua pluralidade de signos, a alegoria contemporânea que é o mundo de cegos de saramago; onde muitos viram um filme pertubador, pessimista, depressivo, é q reside exatamente o inverso. nosso maior cineasta capturou a mensagem de alerta: que é fundamental preservar o amor, o cuidar do próximo, dos seus e de todos, mensagem q poucos se apercebem na obra genial do escritor, mas que é a maior e profunda lição de gentileza que o livro nos lega, se soubermos lê-lo com o cuidado e o sentimento certos.

"cegos os que vendo, não vêem" que o cruel, o sombrio, o aterrador, é também e exatamente o que há de mais nobre e humano em nós; que é na denúncia da sordidez, da miséria, da ganância, da falta de caráter, do individualismo, da ruína moral que se encontram as chaves para resgatar o afeto e a humanidade perdidos, o tatear cego pra reconstruir os valores certos, a resistência possível. é em observar a imundície, em expor duramente a quase agressiva degradação do ser humano que o filme estabelece uma metáfora de que há, ainda, uma saída para reparar o dia-a-dia, o que estamos construindo de nós mesmos. "a importância de se ter olhos quando os outros não vêem", como afirma a mulher do médico, centro condutor de ambas as narrativas.

não à toa, nada na obra de saramago tem nome: cidade, país, personagens, tudo é desprovido de qualidade, para q seja reduzido à essência, ao que efetivamente interessa, sem as máscaras que os olhos impoem... para que sejamos o que somos, e não o que pensamos ser - ou o que pensam, o que enxergam de nós.

tb por isso é proposital, no livro e no filme (aliás, algo que meirelles traduziu com luz e fotografia dignas de oscar, putz!!), a cegueira ser branca - se o branco é a soma de todas as cores, ou, por extensão, a soma de tudo aquilo que nos afasta do essencial, do que realmente somos. "dentro de nós há uma coisa que não tem nome: essa coisa é o que somos".

fernando meirelles é "o cara" - nosso maior cineasta, que, com 4 filmes, 3 deles verdadeiras obras-primas, já se vê digno de figurar na galeria dos maiores gênios do cinema, em todos os tempos.



giovedì, settembre 11, 2008

amigos,

morria, há 1 ano, o genocida augusto pinochet. pior que a lembrança do que fez em vida, é a notícia de que sua morte encerrou boa parte dos processos a que respondia por tortura e assassinato de milhares de intelectuais, políticos, artistas, estudantes.

Salvador Allende foi o primeiro deles. presidente do Chile no “único governo socialista eleito da América”, foi assassinado em pleno palácio de La Moneda, em um 11 de setembro certamente mais triste e sombrio pro mundo que o das torres gêmeas, um 11 de setembro que perdurou por décadas de desmandos e desgraça.

Victor Jara, cantor e compositor chileno, foi tb um dos primeiros torturados que morreu pela ditadura de Augusto Pinochet. Ele fazia música popular e de protesto, com influências da cultura andina, e sempre expressou apoio incondicional a Allende, o presidente deposto no golpe. Proibido de cantar, Jara desobedeceu as ordens e acabou sendo levado para o Estádio Nacional do Chile em Santiago, junto com milhares de outros presos políticos, na maioria estudantes da principal Universidade do país. Diferente do que ocorreu em outros países da América Latina, a sana de terror de Pinochet aconteceu, em muitas casos, às claras e à vista de todos, principalmente nos primeiros meses do governo militar - como que quisesse sugerir um tratamento de choque aos comunistas que haviam chegado anos antes, legitimamente, ao poder.

no meio de milhares, no campo onde jogaram outro dia Brasil x Chile, Victor Jara foi torturado, suas mãos quebradas (diz-se que mais, que foram sim amputadas); ironizado pelos militares que pediam para que ele cantasse e tocasse o violão naquele estado, ele tomou o instrumento e entoou, com dor extrema, uma música de protesto da forma que pôde - o que levou um oficial a atirar em sua cabeça. apesar do governo ter destruído boa parte do legado musical de Jara, sua mulher conseguiu fugir do Chile com algumas gravações.


tempos depois, um dos amigos do cantor que sobreviveu à sana genocida de pinochet e seus vassalos revelou ao mundo o último poema de jara, escrito no próprio estádio, minutos antes de ser reconhecido pelos militares e do brutal assassinato - poema interrompido, poema incompleto, poema jamais terminado.

que seja este o réquiem para a alma, enfim torturada, do ditador sanguinário - e, mais ainda, que seja um manifesto pela paz e pelos direitos humanos, maior e mais significativo que o emblema americanista que cada dia 11 de setembro se tornou.

abs,

angelo

"Somos cinco mil nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil.
Quantos seremos no total, nas cidades e em todo o país?
Somente aqui, dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.

Quanta humanidade
com fome, frio, pânico, dor,
pressão moral, terror e loucura!

Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio, outro batendo a cabeça contra o muro,
mas todos com o olhar fixo da morte.

Que espanto causa o rosto do fascismo!
Colocam em prática seus planos com precisão arteira,
sem que nada lhes importe.
O sangue, para eles, são medalhas.
A matança é ato de heroísmo.

É este o mundo que criaste, meu Deus?

Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho?

Nestas quatro muralhas só existe
um número que não cresce,
que lentamente quererá mais morte.
Mas prontamente me golpeia a consciência
e vejo esta maré sem pulsar,
mas com o pulsar das máquinas
e os militares mostrando seu rosto de parteira,
cheio de doçura.

E o México, Cuba e o mundo?
Que gritem esta ignomínia!
Somos dez mil mãos a menos que não produzem.
Quantos somos em toda a pátria?

O sangue do companheiro Presidente
golpeia mais forte que bombas e metralhas.
Assim golpeará nosso punho novamente.

Como me sai mal o canto
quando tenho que cantar o espanto!
Espanto como o que vivo
como o que morro, espanto.
De ver-me entre tantos e tantos momentos do infinito
em que o silêncio e o grito
são as metas deste canto.

O que vejo nunca vi,
o que tenho sentido e o que sinto
fará brotar o momento..."

sabato, ottobre 20, 2007


OCAS

gente amiga,

a OCAS (organização civil de ação social) coordena ações de reinserção social no rio e em sp, oferecendo emprego e qualificação a sem-teto naquelas cidades.

uma de suas principais atividades é editar uma revista interessantíssima, que, vendida a 3 reais, destina 75% dessa valor diretamente para seus distribuidores (aqui, leia-se, os moradores de rua de rio e sp). mais que só uma revista, OCAS tem oficinas de criação e centros de esporte para essas pessoas.

conheci a revista no CCBB e, fascinado que fiquei pela proposta, quero compartilhá-la com vcs.

há outros pontos de venda espalhados pelo rio e sp; visitem:
http://www.ocas.org.br.

vcs verão que, como diz o site, "ocas é uma alternativa concreta de mudança contra a marginalização".

abs,

lunedì, ottobre 15, 2007

watching the wheels
john lennon [double fantasy, 1980]

People say I'm crazy doing what I'm doing
well they give me all kinds of warnings
to save me from ruin
when I say that I'm o.k.
they look at me kind of strange
surely youre not happy
now you no longer play the game

people say I'm lazy
dreaming my life away
well they give me all kinds of advice
designed to enlighten me
when I tell that I'm doing Fine
watching shadows on the wall
don't you miss the big time boy
you're no longer on the ball

I'm just sitting here
watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
no longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go

people asking questions lost in confusion
well I tell them there's no problem
only solutions
well they shake their heads and
they look at me as if I've lost my mind
I tell them there's no hurry
I'm just sitting here doing time

I'm just sitting here
watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
no longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go
I just had to let it go

lunedì, ottobre 08, 2007

massacre

galera,

eu sei que muita gente esqueceu - eu próprio, quase ia - mas é fundamental lembrar: há 15 anos atrás ocorria o massacre do Carandiru.

dia 2 de outubro de 1992.

e depois de todo esse tempo, depois de tudo que se falou e apurou, depois de um filme do babenco, como na letra dos racionais, "fleury e sua gangue" ainda estão "nadando numa poça de sangue".

impunes. se bem me lembro, ninguém foi preso/culpado.

é muito, muito foda.. mas é verdade.

[]s,



giovedì, giugno 07, 2007





ABENÇOADA REDENÇÃO TRICOLOR


amigos,

exata a palavra que nos resume a todos; exata, posto que abarca sozinha todo o sentimento que nos une, posto que traduz perfeitamente o choro, a comoção, o orgulho, a alegria, a felicidade.. exata a palavra que vimos nas ruas do rio de janeiro ontem à noite, e hj ainda, tomadas por uma enchente de camisas tricolores:
REDENÇÃO.

sim, estamos remidos da espera longa demais, da espera por um
título nacional que escapou de nossas mãos por algumas vezes nos últimos 23 anos. remidos pq sabemos que a extensa história de glórias e serviços prestados ao futebol brasileiro pelo fluminense football club não combinava, em absoluto, com a ausência de um título nacional, de um título de expressão.



uma multidão avassaladora tomou conta das laranjeiras hoje -- haja chopp!!!


pois ele nos chegou; e queira Deus marque o reinício, o renascimento, o reencontro com a nossa própria história - essa história tão cheia de glórias e de uma beleza tão pungente que nós, tricolores, temos. e sem modéstia, de fronte erguida, digo que temos a mais bela, honrada, rica, apaixonante, pioneira e vitoriosa história do futebol brasileiro. nenhum outro clube fez tanto pelo futebol em nosso país, desde o início dele, como fez o Fluminense.

e basta de palavras.. que elas não se bastam em si e desde ontem, após o apito final, exceto por tudo que exprime dentro de nosso peito a redenção tão aguardada, palavras já não encerram, já não significam nada, nada.

saudações tricolores a todos!,


somos campeões do brasil, galera!!!!!!


angelo

domenica, maggio 13, 2007

a velha chácara
(manuel bandeira)

a casa era por aqui...

onde? procuro-a e não acho
ouço uma voz que esqueci:
é a voz do mesmo riacho.

ah, quanto tempo passou!
(foram mais de cinqüenta anos)
tantos que a morte levou!
(e a vida... e os desenganos...)
a usura fez tábua rasa
da velha chácara triste:
não existe mais a casa...

mas o menino ainda existe.

giovedì, aprile 05, 2007

de como ernesto se tornou che

amigos,

ontem revi "os diários de motocicleta"; sei que há entre nós alguns poucos que ainda não assistiram o filme de walter salles e sua fábula da construção de um dos maiores mitos de nosso tempo, um homem que só não foi maior do que o seu ideal de igualdade e justiça: ernesto che guevara.

há muitos anos atrás, na verdade põe anos nisso (eu devia ter, sei lá, 13 ou 14 anos) li um livro da biblioteca do abel escrito pelo che que não era propriamente esse em que o walter salles se baseou pra escrever o roteiro. não sei se vcs sabem, mas o che gostava de registrar suas impressões do mundo em diários, sempre fez isso, até morrer assassinado nas serras da bolívia (a foto dele morto, assassinado pela CIA e pelo exército boliviano, miseravelmente abatido e doente, com os olhos abertos, já viram?)..

se bem me lembro, o livro que li era na verdade uma coletânea, um resumo de todos esses diários, e talvez de outros escritos, discursos e pensamentos. entre outras coisas, abordava várias viagens que ele fez pela américa latina depois dessa, fala do encontro com fidel e a revolução cubana, dos primeiros anos do governo revolucionário, e de como ele largou a glória em Cuba para lutar novamente, no interior da bolívia até encarar a morte, resignado, certo de que iria encontrá-la.. sereno apesar de fraco, doente, sozinho, encurralado, perdido... mas sem medo. o medo, esse o che já havia deixado pra trás há muito, desde que iniciara sua luta pela libertação do povo latino.

é marcante, no livro que li adolescente e no filme que revi ontem, o aniversário de 24 anos - o dia em que ele deixa de ser ernesto - e se torna che. walter salles e garcia bernal captam bem como isso já era uma semente no espírito do jovem médico e ilustram a reviravolta em um discurso de agradecimento pungente, arrepiante, imortal. o que era pra ser uma viagem de autoconhecimento e diversão, tornava-se uma aventura onde se clarearam na mente e na alma do futuro mártir a desgraça da miséria, da opressão e da desigualdade social - o maior legado que nos une, a todos, latino-americanos. o asmático che quase morre ao atravessar a nado 4km de uma margem à outra do rio amazonas peruano e ir de encontro aos leprosos, passar o aniversário com eles, irmanado do sofrimento e isolamento em que viviam. ao buscar o outro lado, ernesto construía outra vida, de dedicação exclusiva à libertação do seu próximo da injustiça; buscava começar ali um novo mundo, uma nova américa latina, diferente daquela a que todos já estavam acostumados há gerações.. mas não mais ele. no terreno baldio do leprosário onde fecundavam somente miséria e desgraça, nascia um novo che. a feliz cena foi registrada com uma música que rendeu a "diários de motocicleta" seu único oscar, no ano passado.

sobre o livro, ainda quero lembrar a forma como no último diário ele desenvolveu a narrativa nos meses em que ficou fazendo a guerrilha nas selvas da Bolívia, o realismo conformista com que acata os últimos dias de sua utopia, nascida anos antes, quando ousou buscar a outra margem. é nítido de como o che se dá conta de que iria ser vencido - mas sobretudo de como se culpa pq havia falhado com os camponeses, pq não havia conseguido estimulá-los à luta.. imaginem, ele, que deu a vida pelos que sequer conhecia, se sentia culpado por não ter conseguido libertá-los!... a forma como aceitava o fim como um sacrifício... e lembro que no último dia - ele escreveu até o último dia - o texto era menos amargurado, mais solto, leve.. e foi fuzilado horas depois, mesmo após ter se entregado aos americanos e ao exército boliviano.

dentro de alguns meses, completaremos 40 anos de sua morte - vcs conhecem a frase seminal: "hay que endurecerse, però sin perder la ternura jamas" - o mito do che é, no fundo, o mito de um homem que tinha tanta ternura pelo seu próximo que se sacrificou por ele, pelo sonho de libertá-lo. e o filme conseguiu traduzir isso muito bem, mostrando como se moldou o coração do jovem humano e generoso que soube resistir às crueldades do mundo para se tornar o maior herói de nossos dias.



[em 16/12/2006]

retido na retina, na memória e no sentimento

amigos,

indescritível a emoção imensa que o show dos los hermanos, sábado passado, provocou em todos nós. definitivamente, não ousaria tentar discernir, com palavras, a atmosfera mágica do que se passou no morro da urca, no último show do "4".

foi, sem dúvida, o único show no meu extenso currículo (vá lá, nem tão extenso assim) onde TODO MUNDO cantou TODAS as músicas, do início ao fim - algo que nunca havia presenciado, e convenhamos, foi no mínimo e por várias vezes de arrepiar. ouso dizer que não fosse a muvuca e o muquifo claustrofóbico e quase hermético a 40 graus que é a tenda do noites cariocas, teria chegado parelho aos 2 melhores shows que já vi - o do paul no maraca em 91 (que registra o recorde mundial de público em ginásios) e o antológico show da legião no salesiano em 93.

são geniais, de fato e direito, os hermanos... não bastasse a qualidade musical e poética, há que se ressaltar a proeza de conseguir eqüilibrar com maestria tons tão díspares como o punk-rock/samba-rock dos discos iniciais, a mpb/bossa dos últimos, e o baile deliciosamente latino das músicas do amarante (mas tão delicioso que o próprio marcelo camelo largava seu instrumento e saía rodopiando sozinho numa gafieira imaginária, e tão mais delicioso ainda pq era flagrante o efeito frusto nas pessoas de querer sair dançando com seu par, impedidos que estávamos pela aglomeração - ah, não à toa o cara encabeça a badaladíssima orquestra imperial!)... e o que é mais, fazer disso tudo um show coeso, dinâmico, estupendo,
que ficou retido, na retina, na memória e no sentimento de quem foi.

e pros fãs ficou a graça leve de perceber como aos poucos eles vão na contra-mão de si próprios, quebrando a resistência que construíram nos últimos anos e tocando novamente aquelas primeiras músicas, mais simples e roqueiras - foi especial, ao menos pra mim, ouvir ao vivo pela primeira vez depois de 5 shows a linda letra de "azedume", ou lembrar de novo a beatles-like "anna julia" - mais que só o hit pop que foi um dia, a "renegada" canção que soa agora como a clara afirmação de uma
banda plural, riquíssima e, cada vez mais pra mim, um diamante singular no atual deserto de nossa música.


--


azedume
(marcelo camelo, 1999)

Tire esse azedume do meu peito
e com respeito trate minha dor
se hoje sem você eu sofro tanto
tens no meu pranto a certeza de um amor,
sei que um dia a rosa da amargura
fenecerá em razão de um sorriso teu

então a usura que um dia sufocou minha alegria há de ser o que morreu

Dá-me outro viés de ilusão
pois minha paixão tu não compras mais com teu olhar
leva esse sorriso falso embora
ou fale agora a que intendes meu penar
A lágrima que escorre do meu peito
é de direito pois eu sei que tens um outro alguém
mas peço pra que um dia se pensares em trazer-me seus olhares
faça por que te convém



lunedì, dicembre 18, 2006


merry christmas (war is over), john lennon, 
1971







era 1971, época do natal.. john lennon e yoko ono haviam se casado em gibraltar, e estavam procurando fixar moradia em nova iorque, após a lua-de-mel mais esquisita que se teve notícia: eles ficaram 1 semana deitados numa cama, em um quarto impecavelmente todo branco, com cartazes por todo lado, dizendo em diversas línguas "faça amor, não faça guerra" - a próposito do conflito no vietnã e de outras guerras que estavam rolando.


enfim, era natal e john tava bem inspirado; acabara de presentear o mundo com um novíssimo single - a música mais bonita de natal feita em todos os tempos, "merry xmas - war is over". todos conhecem a música, claro né!!, mas já pararam pra ouvir, sentir a letra?! e o comecinho um sussurando pro outro, ela pra ele "merry christmas, john" e ele pra ela, "merry christmas, yoko" - baixinho mesmo, tipo que só dá pra ouvir se vc aumentar bem o som.. é simplesmente FODA! :)








então.. john, que era um ativista político intenso, e que pregava a paz mundial e o fim da guerra do vietnã, queria aproveitar o espírito natalino para pressionar o governo, sugerir a estupidez, exigir o fim da guerra de alguma forma.. e acertou em cheio. single lançado, ele gastou o TRIPLO da previsão de faturamento pra defender a sua causa: espalhou a frase-título em centenas de outdoors de NY e de algumas capitais do mundo (12 cidades no total), outdoors como esses da foto acima.



e fez ainda mais: imprimiu panfletos como o abaixo, com a mesma frase, a mesma mensagem, o mesmo espírito: "war is over / if you want it / merry christmas from john and yoko", traduzindo: "a guerra acaba - se vc quiser - feliz natal de john e yoko".


na véspera do natal de 71, NY, londres e algumas outras cidades viram cair dos céus e inundar suas ruas milhões de papelzinhos pedindo o fim do combate na ásia e uma oportunidade de repensar o mundo, com mais espaço para amor, paz e fraternidade.






MERRY CHRISTMAS (WAR IS OVER)
John Lennon/Yoko Ono

(Merry Christmas, John)
(Merrry Christmas, Yoko)

So this is Christmas
And what have you done?
Another year is over
And a new one just begun
And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear ones
The old and the young

A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas (War is over)
For weak and for strong (If you want it)
For rich and the poor ones (War is over)
The world is so wrong (Now)
And so Happy Christmas (War is over)
For black and for white (If you want it)
For yellow and red ones (War is over)
Let's stop all the fight (Now)

A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas (War is over)
And what have we done (If you want it)
Another year over (War is over)
And a new one just begun (Now)
And so Happy Christmas (War is over)
I hope you have fun (If you want it)
The near and the dear one (War is over)
The old and the young (Now)

A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

War is over
If you want it
War is over
Now






o resultado direto da campanha de john: em 1972 as pressões da opinião pública contra a guerra se intensificaram e logo os EUA retiraram suas tropas do vietnã, abandonando o conflito. 



percebam que “merry xmas” não é, definitivamente, uma canção tola de natal imbecilizada, como foi no Brasil, pela versão quase estúpida na voz da simone.. "merry xmas", a melhor canção de natal jamais feita é muito mais, é sobretudo uma mensagem de paz pro mundo, que atravessa décadas... se ontem pedia o fim da guerra fria, hj se ergue contra todos os bushs, sharons, hezbollahs, al-quaedas, khomeinis, saddams, etc.. enfim, uma prece atemporal sobre a paz universal, a bondade humana e o entedimento, como só o gênio de um cara como john lennon seria capaz de produzir.




feliz natal, galera!



venerdì, agosto 25, 2006

gabo




quem já leu sabe que há uma estória em que gabriel garcia márquez nos ensina as muitas faces do amor; e há um trecho especialmente belo em "o amor nos tempos do cólera", logo no início, que é o da morte do dr. juvenal urbino, no momento em que o último brilho dos seus olhos encontra o olhar aflito de sua mulher: inesquecível.


eis abaixo, quando GGM descreve o momento exato em que a vida se esvai, de forma banal, do velho médico após cair do pé de laranjeira (grifo meu):

"(...) já morto em vida mas resistindo ainda um último minuto à chicotada final da cauda da morte para que ela sua mulher tivesse tempo de chegar. Chegou a reconhecê-la no tumulto através das lágrimas de dor, que jamais se repetiria de morrer sem ela, e olhou-a pela última vez para todo o sempre com os mais luminosos, mais tristes e mais agradecidos olhos que ela jamais vira no rosto dele em meio século de vida em comum, e ainda conseguiu dizer-lhe, como o último alento: -Só Deus sabe quanto amei você."


e, páginas depois, ela sobre ele (grifos meus):

"Rogou a Deus que lhe concedesse ao menos um instante para que ele não partisse sem saber o quanto ela o amara por cima das dúvidas de ambos e sentiu a premência irresistível de começar a vida com ele outra vez, desde o começo, para que se dissessem tudo o que tinham ficado sem dizer, e fizessem bem qualquer coisa que tivessem feito mal no passado. Mas teve que render-se à intransigência da morte."



e há, como essas, talvez centenas de passagens eternas, espalhadas pelas 429 páginas da mais bela história de amor da literatura universal (que, aliás, não é só a história desses dois acima, mas tb do amor puro, paciente e sereno, de seu 1o namorado por ela, e do novo amor que ela jamais imaginou pudesse sentir, qdo os 2 descobrem finalmente juntos o sentido da vida, aos 75 anos de idade - um amor que, alguém já disse antes, se guardou para esperar, enfim, sua realização).


a leitura de GGM nos deixa arrepiados, diversas vezes, de emoção; é como se sentíssemos uma urgente e infindável vontade de párar a leitura e saborear, encantados, iluminados em êxtase, relendo por repetidas vezes o lirismo em suas frases imortais. outro dia eu disse, pra uma gde amiga, exatamente isso, em outras palavras: que GGM sabe escrever, como ninguém, poesia dentro de um texto de prosa, e que qdo menos a gente espera, ele nos inunda com a surpresa de um jogo de palavras de uma beleza poética incomparável, beleza que toca tão fundo e que parece que não acaba mais, nunca mais. ou alguém duvida?


giovedì, luglio 20, 2006

silêncio, por favor

uma caixa de fósforos,
seis cordas de um violão
e paulinho da viola em "para ver as meninas", 1971.

a pergunta: como pode? definitivamente não, não pode ser coisa desse mundo.

domenica, luglio 16, 2006

Rain
(the beatles, 1965)

lennon, maccartney

If the rain comes

they run and hide their heads
they might as well be dead
if the rain comes

when the sun shines
they slip into the shade
and sip their lemonade

when the sun shines

rain, i don't mind
shine, the weather's fine

i can show you
that when it starts to rain
everything's the same
i can show you

rain, i don't mind
shine, the weather's fine

can you hear me
that when it rains and shines
it's just a state of mind
can you hear me

martedì, giugno 06, 2006

manuel, bandeira

(Irene no céu)

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor

Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro, bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.


venerdì, maggio 26, 2006

generosidade


a foto acima, publicada em um jornal indiano esta semana, é o flagrante de um momento de extremo amor, e, paradoxalmente pra uns, de tocante humanidade. veio com a legenda: "só quem é pobre procede com tanta generosidade; que pena o homem não ser sempre assim."

domenica, aprile 16, 2006


how i wish

syd barrett, membro-fundador do pink floyd, desenvolveu uma doença mental progressiva, agravado pelo abuso de LSD, que o levou à demência. não conheceu o sucesso do grupo, porque participou da gravação apenas do primeiro album, em 1965, qdo todos eram jovens recém-saídos da adolescência, descobrindo o prazer de fazer a música que cresceram ouvindo.

em 1977, com a carreira consolidada e diversos discos geniais lançados, roger walters e david gilmour entenderam que era o momento de gravar um disco em homenagem a syd. diz-se que, no fim das gravações, os familiares levaram um homem louro, obeso, com casaco de couro, olhar distante e andar vacilante, ao estúdio em abbey road onde os 4 floyds finalizavam o álbum; a banda gravava e mixava os trechos finais quando rogers reconheceu, através da mesa de gravação, que era syd quem chegava.

entretanto, e como que para homenageá-lo, a banda continuou tocando e cantando os versos abaixo, e os da música "shine on you, crazy diamond" - era por 'crazy diamond' que os amigos chamavam os olhos azuis de syd. enquanto todos os membros da banda choravam, syd permanecia indiferente, distante, não reconhecendo os amigos e não entendendo que aquilo era para ele, sem perceber que a música falava dele e de seu desligamento do mundo, por causa da doença; impassível, era como se estivesse no meio de estranhos, porque, na realidade, era como estranho que syd reconhecia tudo à sua volta. ou por outra, era como se ele não estivesse lá - algo que rogers anuncia qdo canta "how i wish, how i wish you were here"...

wish you were here alcançou número 1 nos EUA e Inglaterra no ano de 1977; impossível não ouví-la e sentir o que aconteceu no estúdio 1 de abbey road naquele dia.



Wish you were Here
(Pink Floyd, 1977)

So, so you think you can tell

Heaven from hell
Blue skies from pain
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade your heroes for ghosts?

Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here

We're just two lost souls swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears

Wish you were here



[]s, boa páscoa pra vcs,

venerdì, aprile 14, 2006


10 milhões de dólares...

.. para fazer figuração em um foguete russo.. tão pior qto a exploração/expropriação eleitoreira e em rede nacional da "carona" do pseudo-astronauta brasileiro (que recebeu o recado do coordenador-científico da agência espacial brasileira para "flutuar o máximo possível para as câmeras"), é a noção do descaso com o dinheiro público. mais ou menos como fez aquele milionário americano que bancou uma viagem ao espaço, só que aqui a banca partiu do nosso bolso.

e pensar que, na semana anterior ao JN da "videoconferência" de lula com o astronauta, o fantástico havia apresentado os "falcões", os meninos do tráfico. 10 milhões de dólares poderiam salvar do tráfico para a escola ou o emprego alguns milhares de falcões. 10 milhões de dólares poderiam ser usados pra formar 150 doutores, geradores de ciência em nível internacional. 10 milhões de dólares poderiam reformar e estruturar em caráter definitivo esse hospital onde escrevo, e outros tantos vinculados ao ministério da saúde no rio de janeiro.